Author: Aurélio (page 2 of 4)

Dylan Dog terá um novo crossover em 2018

Vinte e cinco anos depois do último (e brilhante) crossover entre Dylan Dog e Martin Mystère, Dylan Dog foi posto à frente de Dampyr em 2017 – numa história dividida em duas partes que brindou o público italiano com quatro capas incríveis.

Após esse longo hiato, parece que a Bonelli finalmente percebeu o potencial desse tipo de edição: depois da repercussão obtida com a publicação do encontro comentado acima, a SBE achou interessante usar a mesma fórmula outra vez. Agora, Dylan Dog encontrará um personagem que também vive em Londres: Morgan Lost.

Ao contrário do crossover com Dampyr, a história será publicada em um volume único – provavelmente a cores.

O argumento ficará nas mãos de Claudio Chiaverotti (que já tem entrevista marcada conosco), escritor de algumas das mais brilhantes histórias de Dylan Dog e criador de Morgan Lost. Roberto Recchioni auxiliará na construção do roteiro.

Um detalhe: a série Morgan Lost se passa na década de 50, e Dylan Dog provavelmente irá viajar no tempo para encontrar o personagem criado por Chiaverotti – algo que não é problema para os roteiristas da Bonelli, visto que Dylan Dog já tever a oportunidade de conhecer até Ken Parker…

Entrevista exclusiva: Giuseppe Montanari

Nascido em 26 de novembro de 1936 na província de Bolonha, Giuseppe Montanari – que desenha em parceria com Ernesto Grassani – é um dos maiores desenhistas da história da Bonelli. Responsável por histórias clássicas como “As noites de lua cheia”, “A zona do crepúsculo”, “Uma voz vinda do nada” e tantas outras, a caraterística de seu traço (também de Grassani) está gravada na retina dos fãs de Dylan Dog. Nesta entrevista, ele fala sobre o início do personagem na Itália e sobre como é trabalhar em parceria com outro desenhista.


Você começou a trabalhar com o personagem ainda recém-nascido, o viu crescer, se tornar um fenômeno editorial e posteriormente se consolidar como um fumetti icônico. O quê Dylan Dog significa para você? E o quê ele significou para a sua carreira como desenhista?
Montanari:
Como já se é sabido, eu era um desenhista com uma carreira extensa e conhecido pela quantidade de trabalhos realizados para variados editores. Dylan Dog é o meu “estandarte”: a “jóia da coroa” de uma carreira.

Você que viveu aquela época pode explicar um pouco melhor: como foram os primeiros meses de Dylan Dog nas bancas? Como Sclavi se portou frente ao “encalhe” das primeiras edições?
Montanari: Os primeiros meses – e em particular a primeira edição – criaram grandes preocupações na redação, visto que os números de venda não eram dos mais encorajadores. Felizmente, a partir do número 3 em diante, a situação melhorou consideravelmente.
Quanto à “reação” de Tiziano após o “fracasso” inicial: nenhuma. Ele não se abalou nem um pouco em nenhum momento (quem o conhece  pode entender o que digo!).

Você trabalha em par com o Ernesto Grassani desde meados da década de 1970. Como vocês fazem a divisão do trabalho? E como um complementa ao outro na hora de desenhar?
Montanari: Grassani foi um dos desenhistas que compuseram meu “grupo de trabalho”. Ernesto Grassani e Claudio Piccoli sempre foram os que melhor se integraram ao meu estilo de desenho.
A divisão do trabalho ocorre desta maneira: recebo o roteiro e o leio várias vezes para escolher os quadros mais adequados ao trabalho de Grassani (cerca de setenta quadros por edição). Ele, por sua vez, os desenhará a lápis, reservando para mim as partes em que Dylan aparece mais (permitindo que o rosto de Dylan mantenha as mesmas características ao longo da edição). A finalização da arte é feita exclusivamente por mim, permitindo que o desenho final possa ser totalmente uniforme.
Também cabe a mim a tarefa de preparar as “model sheets” dos personagens que compõem a história.

Quem foi o responsável por trazer vocês ao staff de Dylan Dog?
Montanari:
Fui convidado por Sergio Bonelli e Decio Canzio, que já conheciam meu trabalho.

Você e Ernesto desenharam quase uma centena de histórias para Dylan Dog (89, até onde pesquisei). Você tem preferência por alguma delas?
Montanari: É difícil fazer uma classificação entre as “minhas criaturas”… Posso indicar “A dama de negro” e “O castelo do medo” (nºs 13 e 12 da Mythos), “La regina delle tenebre” (inédita no Brasil) e “Fear” (inédita no Brasil)

Qual a diferença entre os roteiros de Sclavi e os outros roteiros? O que ele tinha de “especial”?
Montanari: Pergunta difícil… Eu deveria dizer que a diferença é “abissal”, mas não gostaria de desmerecer o trabalho de nenhum dos outros roteiristas.

Desde 1998 até 2010, apenas você e Ernesto desenharam para Maxi Dylan Dog. Como se deu a decisão da Bonelli em lançar esta série contando exclusivamente com os desenhos de vocês?
Montanari: É uma ideia que nasceu na própria redação, frente ao fato de que em dois produzimos muito. Felizmente, o experimento funcionou.

Depois de um longo período sem trabalhar na série regular, vocês retornaram em “Graphic Horror Novel” – que recebeu muitos elogios por parte dos leitores italianos. O quê esta edição tem de especial?
Montanari: É um “experimento”… Não sei se o “experimento” acabou nessa edição… Vamos ver o que acontece.

Você, particularmente, também trabalhou em Martin Mystère. Como é trabalhar com Alfredo Castelli? E quais as semelhanças (e diferenças) entre ele e Sclavi?
Montanari: Alfredo é um amigo. Não consigo fazer uma comparação entre os dois… Eles tem em comum o imenso talento e a pouca eloquência.

Que outros projetos você desenvolve além de Dylan Dog?
Montanari: Para um pessoa na minha tenra idade, Dylan Dog  já basta e sobra!


Agradecemos a Giuseppe Montanari pela entrevista e desejamos sucesso a ele e a Ernesto Grassani no restante de suas carreiras.

“Mater Morbi”: Lorentz traz ao Brasil a mais cultuada história de Dylan Dog no século XXI

Conforme o prometido, a Lorentz publicou/está por publicar uma história referente a cada década de existência de Dylan Dog. A primeira revista da editora trouxe o clássico“Retorno ao Crepúsculo”, história publicada em junho de 1991 na Itália. A segunda, “Manchas Solares” – considerada um dos melhores roteiros de Pasquale Ruju,  foi publicada em agosto de 2002. Para completar a tríade, a editora escolheu uma história especialíssima: “Mater Morbi”, publicada na série regular em dezembro de 2009.

O roteiro desta história fica a cargo de Roberto Recchioni (talvez o mais influente roteirista da atualidade),  responsável editorial de Dylan Dog e coordenador da “reinvenção” do personagem, realizada em 2015 pela Bonelli. Os desenhos são de Massimo Carnevale, excepcional desenhista da nova geração de Dylan Dog.

A história gira em torno de Dylan Dog. Nela, ele tem de enfrentar o seu maior medo: a deterioração do próprio corpo devido a uma doença desconhecida e talvez até incurável.

“Mater Morbi mexe com o horror interior da implacabilidade da doença. O fetichismo de Mater Morbi é a metáfora para os sentimentos de solidão e impotência face à decadência da doença. Uma história atípica de um personagem já de si atípico, com status merecido de culto. O argumento brilhante e premiado de Roberto Recchioni ganha uma vida lúgubre na ilustração expressiva de Massimo Carnevale, num poderoso trabalho de luz e sombra que confere um enorme peso à história.”

Artur Coelho, blog “aCalopsia”

“História atípica na cronologia do protagonista, longe da ironia que costuma prevalecer e do terror narrativo – que na verdade também está aqui presente e até num nível bem mais incómodo porque mais próximo da realidade e longe da ficção – Mater Morbi, que decorre numa fronteira indefinível entre o palpável e o irreal, centra-se em Dylan Dog e nos seus terrores mais íntimos, nas suas dúvidas e perplexidades perante a vida, nas suas incertezas sobre o fim da estadia na terra para o ser humano.”

Blog “As Leituras do Pedro”

“A coisa que me deixou mais orgulhoso foi que, depois de ter lido a história, Tiziano Sclavi quis conhecer-me e deu-me os parabéns. Mater Morbi, para mim, mudou tudo. E, de alguma maneira, tendo em conta o cargo que ocupo atualmente, mudou muita coisa também para Dylan Dog.”

– Roberto Recchioni, autor de Mater Morbi

Por conta do altíssimo nível apresentado a termos de roteiro e desenho, a edição recebeu tratamento de luxo por parte das editoras “Bao Publishing”, “Epicenter Comics” e “Levoir”, sendo publicada inclusive em formato gigante e com capa dura. A edição americana (Epicenter Comics) foi condecorada com o Ghastly Awards de 2016, como “melhor graphic novel de terror”.

Mater Morbi foi lançada no Brasil em dezembro de 2017. Para mais informações, contate a Editora Lorentz via facebook.

Entrevista exclusiva: Gigi Cavenago, capista de Dylan Dog

Jovem e talentosíssimo desenhista, Gigi Cavenago é um dos fenômenos da nova safra de desenhistas da Bonelli.

Seu desenho é tão admirado que, em 2016, foi convidado a assumir as capas da série regular de Dylan Dog – posto até então ocupado apenas por Claudio Villa e Angelo Stano.

Nesta entrevista, Cavenago comenta sobre sua relação com Dylan Dog, com a Bonelli e sobre como foi assumir a responsabilidade de produzir capas para um personagem tão importante e cultuado.

A entrevista foi conduzida e traduzida pelo blog Dylan Dog Brasil:

Luigi, você tinha alguma relação com Dylan Dog antes de começar a se interessar por desenho?
Cavenago: Eu li meu primeiro Dylan Dog em julho de 1993, na época eu tinha 11 anos e já gostava de desenhar. Claro, eu ainda não tinha em mente o que queria fazer quando crescesse. Então, podemos dizer que conheci Dylan antes de ter um real interesse por desenhar e na profissão de desenhista.

O que o personagem Dylan Dog significa para você?
Cavenago: Para mim, Dylan é fonte das mais variadas histórias. Em todos esses anos, eu li roteiros muito diferentes – às vezes assustadores, às vezes mais próximos de uma comédia brilhante. No entanto, o protagonista é sempre ele: muito flexível e capaz de lidar com diferentes situações, podendo ser sério e extremamente irônico, triste e despreocupado, grotesco e elegante.

Comenta-se no Brasil que “Mater Morbi” foi uma edição impactante na cronologia de um personagem que já não apresentava o mesmo nível desde a “aposentadoria” de  Sclavi. Uma história que acabou por fugir da mesmice e surpreender o público, ganhando certo culto. Recchioni te convidou para ilustrar “Mater Dolorosa”, edição comemorativa dos 30 anos do personagem e considerada a “sequência” de “Mater Morbi”. Como você se sentiu ao receber este convite? E o que teve de mudar na sua técnica habitual de desenho para ilustrar uma história do detetive do pesadelo?
Cavenago: Para mim foi uma grande responsabilidade desenhar a sequência de Mater Morbi, isto por muitas razões. Antes de tudo, era a minha estréia na série regular – além de algumas capas para a série “Maxi Dylan Dog – Old Boy”, eu nunca tinha confrontado o personagem em uma história de quadrinhos. Também foi me passado o desafio de “seguir os passos” de Massimo Carnevale, que é um gigantesco desenhista! Por fim, a responsabilidade de debutar em um número comemorativo e, finalmente, a dificuldade técnica de fazer 94 páginas coloridas.
Felizmente, Roberto (Recchioni) propôs esta tarefa com um ano de antecedência, então eu consegui me acostumar com a idéia. Até então eu estava trabalhando em Orfani: uma série com um sabor quase “americano”, com uma linha limpa e um traço muito jovem. Em Dylan, esse tipo de desenho não funcionaria, então eu tive que estudar outro estilo de desenho que funcionasse para essa história em específico. Ao fim, algo interessante surgiu: uma alternância entre o desenho habitual e a pintura.

Sabemos que Stano é um dos grandes desenhistas da história de Dylan Dog – talvez o maior de todos. Como foi para você substituir ele na tarefa de fazer as capas da série regular de Dylan Dog?
Cavenago: Não foi fácil e ainda não é fácil. Cresci vendo as capas de Angelo e minhas primeiras impressões foram tiradas de seus trabalhos. Ele é o que melhor definiu o personagem e o tornou icônico. Me esforço mês após mês para estar à sua altura. Além disso, não podemos esquecer de Claudio Villa, que também fez capas memoráveis.

Trabalhar com um personagem clássico como DD não é uma tarefa fácil. Na hora de fazer uma capa, que aspectos são fundamentais para torná-la “digna” de Dylan Dog?
Cavenago: É uma pergunta difícil, também porque muitas vezes o instinto que me guia na hora de desenhar. Eu posso dizer que todo o trabalho começa com as indicações de Roberto e da equipe editorial. Posteriormente, também preciso considerar a história que aparecerá na edição em questão: se nela existem elementos visualmente interessantes, fica fácil que a capa se torne igualmente convincente. Algumas das melhores capas nascem das próprias histórias.

Apesar de ter trabalhado em Jonathan Steele, Cassidy e Orfani anteriormente, você “só” havia desenhado “Mater Dolorosa” e algumas capas do Maxi Old Boy para Dylan Dog antes de ser convidado a assumir as capas da série regular. Você esperava este convite?
Cavenago: Não, absolutamente. Em setembro de 2016, eu tinha acabado de finalizar “Mater Dolorosa’ e estava muito cansado depois de um ano de trabalho intenso. Estava me organizando para fazer pelo menos um mês de férias para me recuperar da fadiga, quando Roberto Recchioni me telefonou dizendo que a tarefa de desenhar as capas de Dylan Dog seria passada para mim.
Fiquei feliz, mas também muito assustado. Me recordo de perguntar a ele se eu poderia, pelo menos, me dar um mês de férias antes, mas sua resposta foi “não temos tempo! Comece a pensar sobre o frontispício que em breve te darei as instruções para a primeira capa!”.

Na hora de idealizar uma capa, que tipo de referências você costuma usar (além do próprio roteiro/argumento)?
Cavenago: Eu faço muitas pesquisas na internet para encontrar referências reais ao que eu quero representar. Se a cena for ambientada em um necrotério, procuro o maior número possível de necrotérios no Google. Eu busco preencher minha cabeça com imagens e, em seguida, tirar uma versão minha de tudo o que eu vi. Às vezes, também faço pesquisas para entender o que não fazer, evitando assim o clichê.
Além do Google, eu também uso referências fotográficas, tirando fotos minhas ou de amigos. Às vezes, é muito importante para compreender as posições dos personagens ou para reproduzir certos gestos com fidelidade.

 

Seu estilo de desenho me faz lembrar o traço de outro grande desenhistas italiano: Ivo Millazzo. Você se inspira nele?
Cavenago: Ivo Milazzo é um excelente professor e gosto muito do seu desenho, mas devo admitir que minhas referências são outras.

Quais outros desenhistas você tem como fonte de inspiração?
Cavenago: Durante anos eu observei muito o desenho de Goran Parlov (que era um aluno de Milazzo), mas também Alex Toth, Mike Mignola, Bernet, Breccia…
Em Dylan, minhas referências principais são Stano, Mari e Dall’Agnol.

Fale-nos sobre Orfani. O que você tem a dizer sobre esta série?
Cavenago: Foi a primeira série da Bonelli totalmente em cores. Depois de trabalhar em  Cassidy (um quadrinho de um estilo mais clássico), foi bom partir a bordo de um projeto tão inovador. Roberto Recchioni e Emiliano Mammucari criaram um mundo fascinante, com personagens que ainda perduram e estão em constante evolução. Foi muito bom trabalhar nisso e foi nessa série que meu trabalho teve o salto de qualidade que me levou a Dylan.

Finalizando: qual fumetti da nova safra da Bonelli que você recomendaria ao público brasileiro?
Cavenago: Certamente “Orfani”. Entre as edições mais recentes, recomendaria “Mercurio Loi” de Alessandro Bilotta. Outra série muito interessante!


Agradecemos imensamente ao Gigi Cavenago pela atenção e desejamos a ele todo o sucesso possível em sua carreira.

 

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