Viemos da parte 1.

Parte 2 escrita pelo blog Dylan Dog Brasil com supervisão do Portal Mystère:

O FIM DO MUNDO

O segundo crossover entre Dylan Dog & Martin Mystère certamente se encontra no hall das mais brilhantes histórias publicadas pela Sergio Bonelli Editore.

Pelo fato de ter sido lançada no Brasil como último suspiro da série Tex e os Aventureiros (já em formatinho e possivelmente com tiragem reduzida em relação aos números anteriores), a “edição especial” (também conhecida como nº 6) é item raro e quase impossível de se encontrar na internet e em sebos. Deste modo, é de se imaginar que a história não seja tão difundida entre os leitores brasileiros.

Defrontando o inteligente e bem amarrado roteiro do primeiro crossover, seria dificil de imaginar que, dois anos depois, a dupla Sclavi-Castelli fosse capaz de fazer uma história melhor. Para felicidade do público italiano (que em 1992 ainda tinha o prazer de acompanhar o ápice de Dylan Dog), nada era impossível para aquele par de cérebros brilhantes.

A história apresenta um desenrolar empolgante e surpreendente do início (desde a primeira página, pra ser mais exato) ao fim. Desta vez, Tiziano Sclavi assumiu o comando do roteiro – e finalmente pôde colocar o melhor de si na história.

As reviravoltas que só Sclavi sabe inserir com maestria numa HQ se fazem muito presentes nesta edição. Por vezes, o andamento frenético do roteiro deixa o leitor confuso. Num primeiro momento, a história se divide em realidade e ilusão. Mais adiante, pode-se perceber que realidade e ilusão se mesclavam desde o primeiro quadrinho (ainda que não seja possível afirmar isso com certeza absoluta). A primeira página poderia tranquilamente trazer um aviso: “Leia cada dialógo com atenção. Caso perceba que não está entendendo o roteiro fidedginamente, retorne a esta página e comece novamente.” Além disso, uma quantidade considerável de referências (ainda que nem todas explícitas) são um deleite aos olhos de qualquer amante de Dylan Dog que tem a possibilidade de ler esta edição.

A escolha do desenhista não poderia ser mais adequada. Giovanni Freghieri conseguiu transitar entre os estilos característicos de ambas as revistas, agrandando aos fãs dos dois personagens. Tal feito talvez não pudesse ser realizado por desenhistas como Roi, Piccatto, Alessandrini ou Ricci, que tem um traço fixo à característica do personagem ao qual estão ligados.

A história apresenta o retorno do vilão do primeiro crossover, ainda que este não interfira diretamente na história.

Eu poderia me prolongar escrevendo sobre todos os aspectos e características brilhantes que compõem o roteiro desta edição, mas não consigo: aquilo tudo é informação demais pra uma simples mente humana sintetizar e colocar num limitado artigo.

Posso apenas sugerir que leiam esta história na primeira oportunidade que surgir.


Aqui postaremos uma lista com outros “crossovers” pontuais entre os dois personagens:

Dylan Dog 2 (Mythos): O inspetor Travis está investigando determinados assassinatos e liga para Martin Mysterè, que não se encontra nos EUA.

Martin Mystère italiano 85 e 86: Martin Mystère chega em Londres e tenta entrar em contato com Dylan Dog por telefone, mas Dylan não se encontrava em casa (pelo fato de estar morando no Grand Guignol à época).

Dylan Dog italiano 35: Dr. Aldrich confunde Dylan com Martin. Em várias ocasiões, ele menciona Dylan como “detetive do impossível” (apelido de Martin Mystère).

Martin Mystère italiano 90 e 91: Podemos ver um cartaz de Dylan Dog na “Alley Street”.

Martin Mystère italiano 97 e 98: Em Londres, Martin Mystère tenta chamar Dylan Dog, mas ele não atende o telefone.

Dylan Dog Speciale 4: Martin Mystère faz uma aparição discreta em uma festa.

Martin Mystère Italiano 101 e 102: Martin anuncia seu encontro com Dylan Dog. O encontro em questão é o crossover 1.

Martin Mystère italiano 103: Martin Mystère menciona Dylan Dog enquanto fala com o inspetor Travis.


Esperamos que todos tenham gostado.

Até a próxima oportunidade!