Nem sempre um reboot é uma solução desesperada para uma crise extrema de determinado personagem. Dylan Dog é a prova disso: “rebootado” em 2015 (mantendo a numeração original), ele consegue desde então, a passos curtos, retomar o caminho para atingir a  notoriedade de outrora. Um reboot feito de maneira sutil, porém bastante perceptível.

Essa nova fase começou com a chegada às bancas italianas do nº 337 da série regular, Spazio Profondo”: um álbum colorido, escrito por Roberto Recchioni (autor de “Giudizio del Corvo” e “Mater Morbi” – consideradas duas das melhores histórias de DD publicadas nos últimos anos – e atual responsável editorial de DD) e desenhado por Nicola Mari (desenhista não tão compreendido por vezes, mas de traço apreciável).

Nesta história, Dylan ficou cara-a-cara com si mesmo em várias circunstâncias e foi forçado a explorar o labirinto infinito da sua própria consciência por várias vezes.

A partir deste ponto, o personagem como um todo passou por um processo de “regeneração” (liderado por Roberto Rechionni e aconselhado por Sclavi). Isso significou um “retorno às raízes”, buscando a essência inquietante das aventuras dos anos 80-90. Além disso, também procurou-se evoluir o personagem (e o mundo à sua volta) em determinados aspectos.

Se mantiveram trabalhando em Dylan Dog autores como Paola Barbato, Claudio Chiaverotti, Michele Medda, Montanari & Grassani, Corrado Roi, Bruno Brindisi, Giampiero Casertano, Carlo Ambrosini, Giovanni Freghieri, Luigi Mignacco, Piero Dall’Agnol, Angelo Stano e outros. Foram convidados a integrar o staff dylandoghiano artistas como Barbara Baraldi, Gigi Cavenago, Ratigher, Gigi Simeoni e alguns outros escolhidos a dedo.

As novas características deste projeto englobaram todo o universo de Dylan Dog e todas as suas séries: mensal, Maxi Dylan Dog, Dylan Dog Cor Fest, Almanacco della Paura e Speciale Dylan Dog.

SÉRIE NORMAL
As mudanças aconteceram em algumas bases fundamentais da HQ: a estrutura narrativa, o ambiente e os personagens.

Como de costume, as histórias de Dylan Dog se mantiveram auto-conclusivas. Ainda assim, alguns “ciclos” ligam sutilmente as aventuras (estes ciclos costumam durar 12-18 meses). É um formato de narrativa que lembra algumas séries de TV, onde há uma continuidade – mas não de uma forma “agressiva”.

AMBIENTAÇÃO
A Londres contemporânea e multiétnica – que engloba as áreas turísticas “clássicas” e novos empreendimentos – é a cidade que segue sendo o pano de fundo para as aventuras de Dylan Dog. O personagem avança no tempo, mas não envelhece.

PERSONAGENS
inspetor Bloch, amigo (e quase padrasto) de Dylan, se aposentou da Scotland Yard. Bloch deixou o ritmo insano da vida em Londres para passar sua velhice no campo, em uma pequena cidade perto da cidade. Mas ele estará sempre pronto para voltar em ação ao lado de Dylan quando for preciso.

A Scotland Yard tem um novo inspetor chamado Carpenter. Com uma ética profissional de aço, ele considera Dylan Dog uma fraude que só explora as pessoas em perigo. A assistente de Carpenter chama-se Rania, uma detetive muçulmana extremamente leal a seu chefe – que, por ser mulher, é muito menos hostil para com Dylan Dog.

Dylan também passou a enfrentar um novo vilão: John Saint, a encarnação de todos os demônios da era moderna. Apesar de não ter emplacado e aparecer poucas vezes, John “ocupa” o lugar de Xabaras desde 2015.

TECNOLOGIA
Dylan odeia tecnologia, todos sabemos que ele “nunca se adaptou a essas coisas”. Na nova fase, Groucho tem o papel de intermediário entre Dylan e os tais “dispositivos infernais”. Groucho, por vezes, usa um smartphone com um aplicativo do sexo feminino que tem uma personalidade marcante e um grande senso de humor. Irma, que é o nome do software, tem um ótimo relacionamento com Groucho, mas é muito hostil quando interage com Dylan.

MAXI DYLAN DOG: OLD BOY
Maxi Dylan Dog
 passou a se chamar Maxi Dylan Dog – Old Boy. A série assumiu a quadrimestralidade, e deixou de ser exclusivamente desenhada por Montanari & Grassani. Ela manteve o formato de três histórias por álbum. Maxi Dylan Dog – Old Boy apresenta histórias ambientadas no universo clássico do personagem. Autores conhecidos como Luigi Mignacco, Claudio Chiaverotti, Corrado Roi, Luigi Piccatto trabalham nesta série e, ao mesmo tempo, ela recebe “marinheiros de primeira viagem” – que ultimamente tem nos proporcionado artes rebuscadas e cores vibrantes em suas histórias.

DYLAN DOG COLOR FEST
A série Color Fest traz, essencialmente, a participação de autores italianos e internacionais de fora da Sergio Bonelli Editore. Citando alguns: Mirka Andolfo, Flaviano Armentaro, Ausonia, Akab, Lorenzo De Felici… As histórias aqui contadas são curtas e normalmente apresentam roteiros simplificados que fazem alguma referência a edições clássicas.

SPECIALE DYLAN DOG
Speciale sedia histórias da saga Planet of the Dead” (que começou no Color Fest 2). Escritas por Alessandro Bilotta, as histórias são definidas em um universo alternativo, onde acontece um apocalipse zumbi. Um  Dylan velho e cansado lidera a polícia anti-zumbi e tem a tarefa de salvar a humanidade (ou condená-la à morte).

DYLAN DOG MAGAZINE
O “Almanacco della Paura” (anual) mudou seu nome para “Dylan Dog Magazine”. Essa série, com argumento quase que exclusivamente a cargo de Alberto Ostini, tem o recém-aposentado Inspector Bloch como seu personagem principal. As histórias giram em torno da vida de Bloch após sua aposentadoria. O grande problema é que é inevitável que ele se envolva em casos inquietantes que exigem a participação de Dylan Dog.